“Impressionante como seu filho adotivo se parece com vocês!Parece até que é seu!”

À primeira vista, parecem elogios inocentes. Mas, se olharmos com um pouco mais de atenção, existe uma questão importante por trás delas: por que uma criança adotada precisa se parecer fisicamente com seus pais para que as pessoas reconheçam aquela relação como legítima?

Como se a semelhança fosse uma espécie de certificado de pertencimento. Como se encontrar os mesmos olhos, o mesmo sorriso ou os mesmos traços fosse necessário para comprovar que ali existe uma família.

E quando não se parecem? Quando a cor da pele, os cabelos, os traços e as características físicas são completamente diferentes? O vínculo passa a ser menos verdadeiro?

Filhos não precisam parecer com os pais para serem filhos. Não precisam compartilhar o mesmo sangue ou qualquer característica física em comum para pertencerem àquela família.

A adoção não precisa imitar a biologia para ser reconhecida como parentalidade.

Talvez seja hora de abandonar a necessidade de procurar semelhanças e começar a reconhecer aquilo que realmente constitui uma família: o vínculo, o cuidado, a responsabilidade, o pertencimento e o amor construído todos os dias.

Não, não parece que é seu.

É seu filho. E isso não precisa de nenhuma comprovação!

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